11.11.08

Educação Infantil

“ – Poderia me dizer, por favor, por onde devo ir-me daqui?
– Isso depende muito do lugar para onde você quer ir – respondeu o Gato”.
Alice no País das Maravilhas – Lewis Carroll

A Educação Infantil foi, por muito tempo, uma modalidade de ensino relegada ao segundo plano. Pesquisas mostram que, historicamente, essa modalidade de ensino contou com pouca ou nenhuma preocupação no que tange ao planejamento do trabalho e suas subdivisões: objetivos, conteúdos, metodologia, avaliação, replanejamento. Na maioria das vezes, era tida como ocupação “menor” e, seus principais agentes, os professores, vistos como “tutores” da infância, numa concepção em que o “cuidado” era estabelecido em detrimento ao “pedagógico”.
Em sua evolução histórica, essa modalidade de ensino amadureceu em muitos aspectos e mostrou a que veio: contribuir para a construção de um desenvolvimento saudável do ser humano em crescimento.
Hoje, muito se discute sobre Educação Infantil e a LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei n.º 9394/96) – a colocou em pé de igualdade com o Ensino Fundamental e Médio, os três compondo as modalidades de ensino que se convencionou chamar Educação Básica.
Todo cidadão tem direito à Educação Básica: seu acesso, permanência e qualidade. Quanto a esse tripé, a díade “acesso-permanência” está garantida em quase todos os estados brasileiros, porém quanto à qualidade, pode-se dizer que temos “ilhas de excelência” em âmbito nacional, estadual e municipal. Algumas crianças contam com tamanha diferença em se tratando de qualidade que, por vezes, parece que estamos falando de dois ou mais brasis.
Um dos instrumentos para que a qualidade se faça de fato é o planejamento do trabalho pedagógico. A mudança curricular é uma condição necessária para realizar uma reforma educacional que leve à maior qualidade.

A importância do Planejamento

“Comece pelo começo – disse o Rei, solenemente – e
Siga até chegar ao fim: então, pare”.
Alice no País das Maravilhas – Lewis Carroll

Em se tratando das realidades em que a qualidade é levada em consideração, temos o esmero dos profissionais com o elemento que é o alicerce, ou melhor, a pedra angular de toda prática pedagógica bem sucedida: o planejamento.
A todo momento o ser humano planeja suas ações, suas decisões, seu trabalho, sua vida, enfim. Com o ofício docente não é diferente. As boas práticas em sala de aula mostram-se eficientes e eficazes no cenário educacional justamente porque foram planejadas, a partir de uma postura reflexiva sobre a prática a ser empreendida.
O planejamento de ensino é a base de todo o currículo escolar. Planos de ensino, diretrizes, parâmetros, planos anuais, planos de aula, planos de atividade, todos, cada um em sua instância, são tarefas do planejamento de ensino.
É a partir do planejamento que o professor, o dirigente, o coordenador, o educador podem perscrutar sua atuação e possibilitar ao aluno um resultado eficaz e eficiente; tendo, como resultado a reconstrução do bom status de sua profissão.
Também na Educação Infantil o planejamento deve ser entendido como o primeiro passo do processo ensino-aprendizagem.
Planejar é uma questão de autoria: é a possibilidade do professor escrever e ser autor de seu conhecimento, de seu pensamento, de sua história, da história de seus alunos e de seu “destino” de aprendiz e ensinante.
Em termos de subdivisões da tarefa de planejamento, o professor pode se guiar pelas seguintes fases:
Finalidade ou propósito educativo: um enunciado geral sobre as intenções educativas; afirmações de princípios através das quais o grupo veicula seus valores.
Metas educacionais: definem, de uma maneira geral, as intenções perseguidas por uma instituição, grupo ou indivíduo mediante um programa ou uma ação educativa determinada.
Objetivos gerais: descrevem em resultados esperados de uma seqüência de ensino-aprendizagem que podem ser finais ou intermediários (de acordo com sua função); por seu elevado nível de abstração, não oferecem diretrizes claras e precisas sobre e para as atividades de ensino e o projeto das mesmas, isso torna necessária a formulação de:
Objetivos concretos ou objetivos de aprendizagem: definidos como enunciados relativos a mudanças válidas, desejáveis, observáveis e duradouras no comportamento dos alunos (De Corte et alii, 1979).
Objetivos específicos/operacionais: que surgem da divisão de um objetivo geral nos objetivos específicos necessários a uma concretização bem sucedida.
Objetivo instrucional: designa um enunciado preciso sobre essas intenções.
A importância atribuída a cada uma destas “variáveis” do planejamento origina vias diferentes de acesso das intenções educativas: a via de acesso pelos conteúdos e a via de acesso pelas atividades de ensino (Cf. Coll, 1997).
A via de acesso pelos conteúdos pressupõe que as intenções educativas se concretizem a partir de uma análise dos possíveis conteúdos de ensino, selecionando os de maior valor formativo.
Na via de acesso pelas atividades de aprendizagem – que é uma das características fundamentais dos currículos abertos – a idéia básica é que existem atividades com valor educativo intrínseco, independentemente do seu conteúdo concreto e dos possíveis aprendizados verificáveis que possam originar. Desse modo, o planejamento de ensino deve consistir em identificar as atividades com maior valor educativo intrínseco e de favorecer que os alunos participem dela.
Na Educação Infantil – uma modalidade eminentemente ativa – a via de entrada deve estar pautada tanto na via das atividades quanto na via dos conteúdos significativos. Durante as últimas décadas, ocorreu uma certa aproximação mútua das duas vias, devido à influência exercida pela psicologia cognitiva, que integra, efetivamente, elementos da análise de tarefas e elementos da análise de conteúdo. A solução para o impasse residiu na ampliação do próprio conceito de conteúdo: permitindo a entrada de elementos não estritamente conceituais da educação escolar e, tornando extensivo à seqüenciação destes últimos o respeito pelos princípios da aprendizagem significativa (Ibid).
O ato de aprender não é natural e, tampouco, espontâneo: requer investigação, averiguação, questionamento, mudança, resistência, criação, dúvida, ebulição, enfim, transgressão. Todos estes atributos do ato de aprender estão concatenados com o ato de planejar, até porque, planejamento é, acima de tudo, hipótese, parâmetro e, portanto, flexão, não rigidez.
Como freqüente questionador que é, o professor se apóia nos instrumentos metodológicos de que dispõem para alicerçar sua prática, quais sejam: o planejamento, a observação, o registro e a avaliação. Neste artigo está-se enfocando o caráter primordial do planejamento. Antes, porém, será analisada aqui a re-significação dos conteúdos.

Um comentário:

patricia disse...

Sou estudante de pedagogia no quinto semestre e estou sem estagios...e aqui onde moro eles oferecem pela bolsa muito pouco na base de 200 reias seis horas trabalhadas...
e eu Gostaria de saber os cuidados q tenho q ter para começar a cuidar de crianças em casa...tenho um bom espaço fisico, mas estou sem noção nenhuma...e quero cuidar até seis crianças no maximo e de idadede 2anos a 5 anos...
Quero saber quais os tipos de cuidados para a segurança delas...
E gostaria de saber das leis, porque tenho medo da Fiscalização, por enquanto não posso registrar, quero vê se vai dá certo...e o que pode me atrapalhar se alguem me denunciar...
quero fazer tudo certinho, porque irei ensina-lás e farei projetos pedagogicos com elas.

SE ALGUEM PUDER ME DAR DICAS E ME AJUDAR.... MANDE PARA MEU E-MAIL....